O dia acordou frio e cinza, uma garoa fina caía. Tão triste quanto todos aqueles corações em seu velório.
Ele era um colega de trabalho desses que faz todo mundo rir. Amigo pra dividir conversas, almoços e muita risada. Carinho mútuo, dessas relações em que a idade não quer dizer nada.
Deixei a empresa há sete anos, não o via há quase uns dois. Mas ainda que a distância faça desvanecer alguns laços, há memórias que o tempo não leva.
Devia ter voltado à empresa mais vezes, ou trocado mais e-mails. Por que não fui? Por que paramos de escrever? Não sei. Foi a vida talvez….
Engraçado como dizemos “foi a vida”. É a vida que corre, que distancia, que afasta, ou somos nós? A vida se explica no nome, existe pra ser vivida.
É na vida que estão as pessoas, o amor, os laços. Por que culpamos a vida quando relações desbotam?
Quem interrompe histórias, cessa relacionamentos e afasta pessoas não é a vida… é a morte.
Hoje, debaixo de um céu cinza, em meio a pessoas tristes, eu pensei na morte. Tantas pessoas com vida, em pé ao redor de um caixão, perplexas por uma só verdade: nós não entendemos a morte.
Como entender que a morte leve embora um cara com 48 anos? Como entender a esposa submersa em dor e lágrimas que vai dormir sozinha essa noite? Ou a filha de quem seu pai tanto me falava, que jogava futebol desde criança, mas não vai mais ver o pai na arquibancada?
Como entender que a voz que causava sorrisos naquele escritório, agora será silêncio?
Havia dois sons naquele lugar, lágrimas e música. E enquanto aquele violino tocava notas de despedida, meus olhos derramaram lágrimas diante da separação silenciosa, mas ao mesmo tempo tão barulhenta. Olhei o céu como quem olha o rosto de Deus.
Ouvi dizer que alguém orou por você no hospital, que mesmo sem movimentos, você suspirou como quem abre a porta ao ouvir Jesus bater.
Espero que você tenha encontrado Deus antes de ir. Só assim vou saber que, em meio a todas aquelas lágrimas aqui embaixo por te ver partir, havia Alguém sorrindo lá em cima por te ver chegar.

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Hoje quando acordei, Deus estava no meu quarto. Passei alguns minutos falando com Ele, pedindo por um dia com mais da Sua presença.
Eu estava no meu lar, cercada das pessoas que amo. Isso era Deus comigo.
Ele estava no meu café da manhã, na alegria de bater papo com a minha mãe, de quem sinto falta dos dias inteiros que passávamos juntas.
Deus esteve comigo durante a tarde, num tempo de comunhão com as mulheres da família. Nas músicas que cantamos, nas experiências que compartilhamos, nos joelhos dobrados em família. Deus realmente estava ali. Falando, ensinando, renovando esperanças.
Durante a noite, Deus esteve intensamente comigo. Na oportunidade de ir à minha igreja, nas canções ministradas e no coração rendido em adoração. Na Palavra vinda dos céus, fazendo tremer todas as minhas estruturas, me atraindo ainda mais pra Ele.
Deus estava na ceia, nas lágrimas, na gloriosa presença derramada.
Eu vi Deus comigo depois também. Na companhia dos meus amigos, nos sorrisos que dividimos, no rosto da pequena, no amor compartilhado.
Foi Ele quem inspirou minha oração da manhã, Ele mesmo a respondeu.
Nas pequenas e grandes coisas, em tempo de silêncio ou conversa, no amor dos que me cercaram hoje, Deus estava verdadeiramente comigo.
Hoje me deito imersa em gratidão, sabendo que passei um dia com Ele. Amanhã quando acordar, sei que Ele ainda vai estar comigo.

Hoje de manhã eu olhei algumas das nossas fotos, do tempo em que nossos dias eram como sol de verão. Você sempre teve esse jeito único de iluminar minha vida, sempre me causou a mesma alegria de abrir a janela e encontrar um dia bonito. É um sentimento desses que preenchem a alma, sabe?
Eu reli nossas palavras, revivi por alguns segundos a doçura que só a gente sabe entender. Senti saudade do que costumávamos ser.
Sei que nosso céu anda meio cinza ultimamente, em alguns dias chove bastante dentro de mim. Mas tem uma coisa que aprendi com você: o sol está lá, mesmo quando a gente não enxerga. Ele sempre volta depois do inverno ou da chuva.
Hoje falei com Deus sobre a gente, Ele sabe que está difícil, mas Ele me fez lembrar que todas as coisas, mesmo as difíceis, cooperam para o nosso bem. Por alguns instantes, no meio do inverno, Ele me aqueceu com essa esperança outra vez.
Eu só queria que você soubesse, não me importa o tempo que vai levar. Eu atravesso tempestades, aguento a ventania e espero o céu clarear. Eu sei que no fim, seremos sol de verão e brisa fresca outra vez.
Seja qual for a estação, eu sempre vou escolher esperar, porque você não só vale a pena, vale toda a minha alma.

Ei Deus, estou aqui de novo. Eu sei, são passos pequenos esses meus. Estou encontrando outra vez um caminho pra Você, pra nós e tudo que costumávamos ser.
Demora um pouco, sabe? Te deixei de lado por algum tempo, mas Você nunca partiu, não é? Saber disso é o que dá esperança a esses meus passos de criança. É assim que sempre gostei de ser pra Você, uma criança.
Eu me machuquei, Pai… um desses machucados feios que a gente faz quando pensa que sabe andar sozinho. Eu não sei, nunca soube, mas algo é certo: Você é Mestre em curar feridas. Tenho visto minhas dores serem lavadas pela Sua graça, minhas mãos sendo lembradas de segurar nas Tuas outra vez.
Estou voltando a conhecer quem eu sou pra Você, voltando a Te reconhecer perto de mim. Quando meu coração enfraquece e quer se desesperar, Você me encontra numa canção e me faz respirar devagar.
Me ajuda a continuar aqui, mesmo que com passos pequenos, até que eu aprenda outra vez a correr para os Teus braços, a Te encontrar por todo o caminho. Eu sei, Você sempre esteve aqui… fui eu quem me distraí.
Foi Você quem mudou minha casa, minha rotina e as coisas ao meu redor, não foi? É o Seu jeito de mudar meu coração, meus caminhos e as coisas dentro de mim. Eu sinto isso. São poucos dias, pequenos passos, apenas o começo do caminho, mas quer saber, Pai? Estou alegre por estar aqui ao Seu lado, segurando Sua mão e aprendendo a andar de novo.

Você poderia por favor pegar tudo, dentro e fora de mim, e desligar todas essas vozes? Porque eu sinto que estou no meio de uma tempestade.
Agora mesmo eu vejo meus sentimentos aqui dentro e as pessoas do lado de fora, eu os ouço gritando tão alto sobre todos os meus erros, sobre quem eu fui e o que eu fiz, e parece que essas coisas definem quem eu realmente sou.
Eu falo sério, Jesus, está me machucando tão profundamente que algumas vezes eu me sinto paralisada. Eu não sei pra onde ir nem o que fazer. Essa não é a verdade, certo? Meus pecados não precisam definir quem eu sou, certo? Por favor me diga que não.
Às vezes eu sinto como se estivesse no chão, quebrada por todas as consequências do que eu fiz, eu sei que as mereço, mas eu não acho que deva acreditar em todo o barulho na minha cabeça, todas essas vozes tentando levar embora minha esperança de ser alguém diferente, alguém bonita.
Você pode, por favor, vir aqui, Jesus? Me dê Sua mão e me levante desse chão. Eu sei que Você não me vê assim. Eu só preciso da Sua voz e do Seu olhar.

Então é verdade, Deus? Você me quer apesar da minha lepra? Mesmo com toda essa impureza que distorce quem sou? Mesmo que eu tenha algo em mim que me impede de me enxergar e que afasta as pessoas ao meu redor? É verdade que Você QUER me curar?
Simplesmente porque quer, simplesmente por me amar?
É verdadeiro isso de me tocar antes de eu ser alguém digna de toque? De me querer antes de me tornar aceitável? Você me aceita suja e ferida assim?
É verdade que meu “eu” ainda existe? Não esse eu que eu vejo, não esse que me tornei. Aquele “eu” que Você sonhou e no qual quer me transformar, ele existe, não é?
Eu posso voltar a ser alguém contagiada pelo Reino? Alguém que contagia as pessoas? A viver uma vida que por si só é testemunho?
É verdade que Você me quer, eu sei que é…
…Você me disse hoje.

(Baseado na pregação do Pr. Uagner Nantes de Souza – Mt. 8:1-4 – 13/03/2014)