Julgamento ou Amor?

Passando Jesus, viu um homem cego de nascença. E seus discípulos lhe perguntaram: Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego: ele ou seus pais?
Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas isso aconteceu para que nele se manifestem as obras de Deus. Enquanto é dia, é necessário que realizemos as obras daquele que me enviou; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.
Tendo disto isto, cuspiu no chão e fez barro com a saliva; e aplicou-o sobre os olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou enxergando. (Jo. 9:1-7)

“Sem dizer uma palavra, Jesus olha para o homem, talvez querendo, com sua pausa deliberada, demonstrar aos discípulos como amar o próximo. Ele concentra sua atenção no cego tempo suficiente para os discípulos começarem um debate sobre o homem. Eles perguntam a Jesus: “Quem pecou?”. Os discípulos automaticamente culpam o homem por sua cegueira, com toda certeza influenciados pela concepção sociocultural do primeiro século, segundo a qual a cegueira era resultado de um erro do homem ou de seus pais. Os discípulos só precisavam que o Senhor os ajudasse a rotular o homem, a enquadrá-lo em uma categoria. Mas Jesus dá logo um fim ao julgamento deles, dizendo que o cego não se encaixava em nenhuma dessas duas categorias.
Falar sobre “pecado” está fora de moda hoje em dia, mas não perdemos jamais essa nossa capacidade de julgar os outros. Nossos conhecimentos de psicologia aumentam nossa competência de avaliar as pessoas ou seus atos como errados, ruins, inferiores, confusos ou disfuncionais. Ou seja, enxergamos os “pecados”! Estamos constantemente analisando uns aos outros: “A infância dele foi problemática ou ele é assim mesmo?” Vislumbramos um pequeno indício de quem alguém é, em seguida o enquadramos em uma determinada categoria, e concluímos: “Ele deveria procurar um psicólogo” ou “Ele é complicado demais.”
A análise proporciona aos discípulos segurança e um mundo estruturado onde cada coisa tem o seu lugar. Dessa forma, eles conversam a respeito do cego como se ele não estivesse ali. Em contrapartida, Jesus dirige-se ao homem, faz um pouco de lama e toca seus olhos. Jesus se curva e se humilha para cuidar do homem, enquanto os discípulos se exaltam para julgá-lo.
Os discípulos veem um cego; Jesus vê um homem que, porventura, é cego. Os discípulos veem um assunto para discussão; Jesus vê uma pessoa, um ser humano igual a ele. Os discípulos veem o pecado, ou seja, o resultado da obra humana; Jesus vê a necessidade, ou seja, o potencial para  a obra divina. Os discípulos veem uma desgraça total e querem saber quem foi o vilão; Jesus vê um história incompleta, em que o melhor está para acontecer.”

— Trecho do livro: O Amor andou entre nós (Paul Miller)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s